Skip to main content

Sabia que você pode começar a dizer por aí que tem um ancestral judeu sefardita? Parece loucura imaginar algo assim, porém vale dizer que há a possibilidade da sua história familiar ter raízes na figura do personagem histórico Abraham Sênior. Sendo assim, para que você entenda essa correlação temporal um tanto curiosa, deixe sua imaginação fluir e venha com a gente para uma imersão histórica e ibérica.

A dúvida que não quer calar: Quem foi Abraham Sênior? Para ser respondida essa pergunta, deve-se ter em mente que o personagem, além de ter pertencido ao reino de Castela, foi também um importante rabino das regiões que viriam a ser a Espanha. Para se ter em mente, Sênior foi tão significativo para sua época, que chegou até a ser um dos “cabeças” do acordo de 1469: o casamento da rainha Isabel de Castela com o rei Fernando de Aragão. Vale dizer que foi graças a este acordo que a Espanha se unificou, reunindo forças para realizar as suas viagens náuticas, conseguir colônias e, principalmente, se destacar frente ao cenário europeu do século XV. Além disso, não pode ser esquecido também o papel do rabino perante Cristóvão Colombo, afinal foi com uma conversa entre os dois, em Malága, que o italiano conseguiu seu primeiro apoio financeiro para partir em alto mar.

Um fato importante de ser comentado, é que no século XV houve um marco ou até um tipo de ruptura de duas etapas da história da humanidade: a transição de Idade Média para Idade Moderna. Essa transição, vista aos poucos através do legado do absolutismo segundo Emmanuel Le Roy Ladurie, é um fato alcançado pela Espanha por ter seu esplendor reunido na figura dos dois governantes absolutistas. Agarrados a ideia de tornar suas terras um país livre de mouros e judeus, tanto Isabel quanto Fernando exerciam sua influência pelo catolicismo e ao respeito mútuo pela figura do Papa. Conhecidos como os “Reis Católicos”, nada mais justo para eles que tornar seu povo soberano da Santa Igreja Católica.

Sendo assim, como teria ficado Abraham Sênior com esta postura dos reis? Logicamente que para os não portadores da fé cristã, o período que estava se instalando não beirava um bom presságio. O que estava por vir se chamava Decreto de Alhambra e se resumia em duas posições para os não cristãos: conversão ou expulsão da Espanha. De fato, não foi uma escolha fácil para muitos, pois ser banido significa abandonar a família e se converter, renegar o Torá. Para Abraham, não foi diferente, afinal o que estava em pauta era a figura de um rabino influente que, consequentemente, não obteve escolha e nem refúgio para sua tomada de decisão. Segundo Cândido Pinheiro Koren de Lima, ainda havia o agravante dele possuir oitenta anos na época, não havendo opção diante da sua eminente conversão.  De fato, foi uma decisão sofrida para muitos contemporâneos de seu tempo. Não ter a permissão de exercer sua própria fé é sinal de repressão e anti liberdade religiosa, porém em países como a Espanha, essa questão católica se agrava ainda mais em momentos posteriores, com o advento do Tribunal do Santo Ofício. No caso do Abraham Sênior, tendo falecido 1493, o antigo sefardita não chegou a passar pelo período de caça a blasfêmia, heresia e bruxaria da Contrarreforma, mas deflagrou com a aversão ao seu próprio povo. Seu amigo, por exemplo, Isaac Abravanel, foi um dos teve que sair da Espanha e procurar refúgio em novas terras, afinal possuía ascendência direta com o personagem bíblico Rei Davi.  

No caso do Abraham Sênior, sem esta expulsão das terras hispânicas, sua conversão se deu pelos próprios “Reis Católicos”, fazendo-o até a trocar o nome para Fernando Peres Coronel. No entanto, isso não significa dizer que havia, por parte de Abraham, uma postura voluntária ao ato; na verdade, numa primeira estância, ele foi contra ao Decreto e tentou remediar a situação por ter feito parte da Corte da Espanhola. Como percebe-se, tudo foi em vão se agravando ainda mais com o passar dos anos. Seus descendentes são exemplos verídicos dessa perseguição e também são casos que devem ser contatos para as gerações futuras, afinal o que está em pauta é a história de um povo perseguido que merece ter voz e ser ouvido.

Mas, o que tem Abraham Sênior em comum com você que está lendo este post? Se sua árvore genealógica chegar até o ano de 1412 e ainda tiver o rabino como personagem histórico, significa que você tem raízes judaicas e que pode tirar sua cidadania europeia. Mais do que isso, você é fruto de um passado de resistência por parte dos cristãos novos, afinal sua genealogia é interligada a essa história complexa e um tanto curiosa. De fato, você, mesmo sendo brasileiro, pode ter sim esse passado peculiar, já que um número significativo de sefarditas veio para o Brasil fugindo da Inquisição Católica. Se você for da região Nordeste melhor ainda, pois muitos se refugiaram nesta localidade brasileira, inclusive os descendentes de Abraham.

Ex-rabino, captador de impostos e sefardita por essência, Abraham Sênior é um grande exemplo de alguém que resistiu a intolerância religiosa e ao etnocídio para com seu povo. De fato, deve ser uma honra ter ancestralidade por esse personagem, afinal o que se tem é uma pessoa influente da Corte Espanhola, que fez de tudo para defender seus iguais. Como diria Anita Novinsky: “O trauma vivido por todos os judeus convertidos e seus descendentes, estigmatizados desde a infância, deve ser considerado, …, o espírito revoltado, aventureiro e revolucionário dos cristãos novos”.  Quer saber mais sobre a sua história e como seu passado pode ajudar no seu futuro em um dos destinos mais buscados por brasileiros, entre em contato, vamos conversar. 

Leave a Reply

Fale Conosco